Nas origens da literatura, encontramos a figura do mediador: corpo,
gesto e voz, a serviço da fruição da palavra sonora e poética. Mais
tarde, a escrita e, posteriormente, a imprensa medeiam a palavra em
matéria gráfica sobre papel. Hoje, ambos, mediadores e palavras,
reconfigurados em gigabytes, narram histórias e declamam versos
dispostos em telas e gadgets luminosos, espíritos eletrônicos da
nossa era, que convivem com todas as modalidades do livro de literatura .
O leitor, de receptor a operador interativo, por sua vez, ganha corpo e
gestos próprios, infinitas identidades psíquicas, cognitivas, sociais e
culturais, imerso em uma comunidade igualmente plural e multimidiática.
Para trazê-lo à tona, tornam-se necessárias ações políticas, educativas
e institucionais, megamediadoras da cultura literária.